Resiliência e Representatividade: O legado de Preta Gil na música brasileira

Preta Maria Gadelha Gil Moreira, conhecida em todo o Brasil como Preta Gil, nasceu no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 1974. Filha de Gilberto Gil, um dos maiores nomes da MPB do país, sempre carregou consigo muita musicalidade, alto astral e uma postura autêntica e combativa. Desde seus discursos sobre amor próprio e auto-aceitação, até seu papel marcante na luta pelos direitos da população LGBTQIAP+, sempre foi uma artista multifacetada e única. No último domingo, 20, a artista nos deixou aos 50 anos. Enfrentando uma árdua luta contra o câncer há mais de dois anos, Preta deixou um legado de amor, resistência e liberdade. Essa matéria é uma homenagem da MADM à cantora, e te convidamos à relembrar um pouco de sua trajetória.

O início

A carreira de Preta Gil começa em 2003, com seu álbum de estreia “Prêt-à-Porter“, que mistura uma sonoridade MPB, com o pop e o funk carioca. O trabalho foi motivo de burburinhos na época, não apenas pelas músicas, mas principalmente pela capa do disco, que traz uma foto da artista nua. Um grito de liberdade e afirmação do próprio corpo, em uma época na qual esse tipo de postura era coisa rara. Ao longo de 13 faixas, o disco conta com “Sinais de Fogo“, o maior hit da artista, composto por Ana Carolina e que conta da relação entre as duas. Vale destacar que essa canção é recebida pela comunidade LGBT+ até hoje como representativa e muito aclamada pelos fãs.

A representatividade

Além de cantora, Preta Gil sempre se posicionou e levantou diversas bandeiras, se consolidando também como uma figura importante na mídia em pautas políticas. Em tempos nos quais a discussão sobre gordofobia e aceitação do próprio corpo ainda não eram pautados nas redes sociais, ela já falava sobre esses assuntos. A artista enfrentou muitas críticas e preconceitos de cabeça erguida, com muita coragem e sendo uma voz ativa em favor da autoestima e da diversidade.

Em 2009, estreia seu bloco de carnaval, o “Bloco da Preta”, no Rio de Janeiro. O trio se tornou um dos maiores do carnaval carioca, animando as multidões e trazendo sempre as bandeiras de feminismo, antirracismo e direitos LGBTQIAP+, se tornando um espaço de festa e resistência. Em 2017, Preta lança o álbum “Todas as Cores“, celebrando a diversidade. O primeiro single foi a faixa “Decote“, em colaboração com Pabllo Vittar. A faixa foi um marco na carreira da artista, trazendo temas como liberdade e amor próprio. Bastante representativa, mostrando a mulher forte e inspiradora que sempre foi. Já em 2019, a artista lança a faixa “Só o Amor“, um feat com Gloria Groove, trazendo mais uma vez a importância do respeito à diversidade para a agenda do dia. Essas trocas foram momentos que marcaram um encontro de gerações, que mostram como Preta já estava deixando seu legado e ensinando sobre pautas tão importantes para a nossa sociedade tão diversa.

Foto: Midiorama

Além de artista musical, Preta também atuou em novelas, peças de teatro, apresentou programas de televisão e foi produtora cultural. Seguiu o legado que trouxe de família, mas com seu estilo próprio, identidade e autenticidade. Usava suas redes sociais para participar de campanhas políticas e falava abertamente contra o racismo, misoginia e intolerância religiosa. Nunca teve medo de se posicionar, ainda que sofresse ataques por isso.

Ainda em seus últimos meses, Preta sempre falou abertamente sobre sua doença com muita resiliência, e isso só mostra o quão verdadeira e visceral ela sempre foi. Esse momento de dor estreitou seus laços com o público, e também com seus amigos e família, que estiveram ao lado dela à todo momento. A artista deixa um legado de resistência, força, bom humor e alegria. É assim que será lembrada por todos, com muito carinho.

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