Mare Advertencia e a voz afiada da resistência indígena e feminina no rap latino

Em tempos onde tudo o que presenciamos aponta para um retrocesso sem igual, acompanhado de repressões, especialmente contra migrantes latinos, Mare se destaca como um dos nomes mais relevantes da música de protesto.

Mas… quem é Mare Advertencia?

Mare Advertencia é uma rapper zapoteca que une, em um só discurso: rap e identidade indígena. Nascida em Oaxaca, no México, a sua trajetória artística no rap começou ao lado do DJ TBear lá em 2003. Já no ano de 2004, integrou o coletivo Advertencia Lirika, um dos primeiros grupos de rap feminino no México. Desde 2009, segue carreira solo com três materiais, entre eles o EP SiempreViva (2016).

Mare não se curva: rima em espanhol abordando temas como feminicídio, direitos indígenas, racismo e as tensões sociopolíticas mexicanas. Em faixas como “Se busca” – que conta com aproximadamente 410 mil streams solo – e colaborações como “Árboles Bajo El Mar” (5,4 milhões de reproduções) e “Sirens” (7,5 milhões), ela amplia o debate artístico e político.

O resultado de tanta coragem? Sucesso, é óbvio!
O site Music Metrics Vault atualizou em 19 de junho de 2025 os dados da Mare Advertencia, mostrando 33,912,669 streams totais no Spotify e cerca de 169.580 ouvintes mensais. Esses dados não mentem: refletem uma figura relevante em crescimento constante.

Tour Bahidorá e colaboração com Africa Express

Em fevereiro de 2024, Mare participou do projeto Africa Express no Festival Bahidorá, em Morelos (México), organizado por Damon Albarn, ao lado de artistas como Tayhana e Luisa Almaguer. Essas sessões resultaram no álbum ‘Africa Express presents… Bahidorá’, com o single “Mi Lado” (com Poté e Alansito Vega), marcando sua presença forte e colaborativa, e postura feminista dentro do coletivo.

Ser artista ja é, por si só, um ato político

A arte, mesmo quando não é intencionalmente engajada, carrega narrativas e contextos que se inserem num mundo estruturado por: relações de poder, exclusões e ideologias. Justamente por isso, Mare representa grupos que são, por si só, historicamente marginalizados. O peso do que ela canta é gigantesco, ja que dentro do contexto global de toda censura cultural e perseguição às minorias, ela dá voz às narrativas mais urgentes de resistência.

Apoiar artistas como Mare é um ato de fortalecimento da identidade. Em tempos em que a xenofobia e o autoritarismo são pregados livremente sob o pretexto de “controle”, escutar suas vozes se torna um gesto de rebeldia contra o apagamento cultural, a chacina e o genocídio.

Conhecer e falar sobre estes artistas, é como abraçar uma transformação cultural. Incentive artistas latinos, especialmente mulheres indígenas e negras, amplifique suas vozes e fortaleça o futuro da música. Pela cultura, sim, mas também por um mundo melhor.

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