Twenty One Pilots, Bring Me The Horizon e Charli XCX estão transformando shows e álbuns em experiências imersivas nos cinemas
A era do artista multimídia
Em um mundo no qual as redes sociais ditam o consumo e definem o que será relevante para o público, artistas musicais passam a ter que lidar com o desafio de serem onipresentes. O contato com os fãs nos palcos e através do start dos discos não é mais suficiente para manter uma carreira de sucesso: é preciso dos charts, dos números, do alcance e principalmente: dominar os algoritmos. De uma forma ou de outra, os artistas passaram a ter que lidar com a criação de diversos conteúdos para potencializar seu alcance e garantir uma relação sólida com seu público.
A partir disso, se tornou cada vez mais comum a presença de cantores e bandas em trends, vídeos curtos e tweets. Um bom exemplo é o caso de bandas de metalcore, como Sleep Token, que ampliaram seu alcance e passaram a alcançar um número expressivo de fãs a partir das reproduções de suas faixas no TikTok. O algoritmo das redes sociais pode ser um bom aliado, ou um grande obstáculo.
O cinema como novo território criativo
Mas aqui o ponto é outro: como, para além das redes sociais, outras plataformas de entretenimento têm se consolidado como ferramentas de criação de artistas atualmente. Uma delas é o cinema, que cada vez mais tem recebido produções protagonizadas por bandas e cantores, que exploram as telonas para promover experiências inovadoras e imersivas para o público. O cinema é um território criativo que permite não apenas inovar nas produções oferecidas aos fãs, mas também um alcance mundial simultâneo, com sessões únicas exibidas ao mesmo tempo em diversos países, dando a sensação de exclusividade naquilo que está sendo vivido, sem que o artista precise estar presencialmente naquele espaço.
O ano de 2026 já começou com projetos que evidenciam essa nova tendência, a partir de projetos divulgados pela banda Twenty One Pilots, a banda Bring Me The Horizon e a artista Charli XCX. O duo Twenty One Pilots já havia experienciado uma produção para os cinemas em 2022, com o lançamento do projeto “Twenty One Pilots: Cinema Experience“, quando levaram para as telonas uma versão estendida e remasterizada de um show que havia acontecido de forma virtual, em 2021, celebrando o disco Scaled And Icy.

Agora, a banda anuncia uma nova proposta: um documentário musical que exibe um show realizado pela dupla em 2025, na Cidade do México, durante a The Clancy World Tour. O filme-show, intitulado “Twenty One Pilots: More Than We Ever Imagined” promete exibir além de imagens em alta resolução do show que recebeu mais de 65 mil pessoas, imagens de bastidores com os integrantes Tyler Joseph e Josh Dun sobre a carreira deles, e a relação com o público. O filme será a primeira produção da banda para os cinemas exibida em IMAX, o que reforça a ambição dos artistas em oferecer uma experiência mais imersiva ao público. A estreia está marcada para o dia 26 de fevereiro, e sessões de pré-estreia no dia 25, em salas de cinema ao redor de todo o mundo.
Outra banda que começou o ano anunciando um novo projeto foi o Bring Me The Horizon, que após marcar presença na cidade de São Paulo com shows lotados no Allianz Parque em 2024, reunindo cerca de 50 mil fãs, vai exibir esse marco nas salas de cinema com o filme-show “L.I.V.E in São Paulo (Live Immersive Virtual Experiment)“. O show reuniu o maior público da história da banda, e o filme promete reunir filmagens multicâmera, tomadas aéreas com drones além de registros enviados por fãs, que vão compor o universo visual ligado ao projeto “Post Human” do grupo. A exibição será nos dias 25 e 28 de março de 2026 em salas de cinema de vários países, e os ingressos começam a ser vendidos no dia 11 de fevereiro. Além disso, o show será lançado como um álbum ao vivo em 10 de abril, nas plataformas de streaming e também em versão física.
Já no mundo pop, a artista Charli XCX, que mudou paradigmas após a era Brat, traz dois projetos audiovisuais para os cinemas em 2026. “The Moment“, é um filme de ficção co-produzido e protagonizado pela artista, baseado em um conceito criado por ela, que explora temas como a fama, a identidade artística e as expectativas da indústria musical. O filme será distribuído pela A24 e está previsto para ser lançado em fevereiro de 2026 nos cinemas.

O segundo projeto, “Wuthering Heights” (O Morro dos Ventos Uivantes), trata-se de um filme no qual Charli XCX além de atuar, se envolveu na composição da trilha sonora. O longa, dirigido por Emerald Fennell e estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, teve a participação musical de Charli a partir de um álbum completo produzido pela artista, com músicas originais para o filme. Tanto o álbum quanto o filme serão lançados dia 13 de fevereiro, pela Atlantic Records. O duplo movimento – protagonizar um filme original e compor um álbum para um longa – mostra a expansão na carreira da artista para além da música pop, atuando como protagonista e produtora.
Os três projetos mencionados são ótimos exemplos, entre tantos outros, da tendência cada vez mais forte dos artistas em explorar a experiência cinematográfica como uma ferramenta de criação audiovisual para além dos videoclipes. Se essa prática irá se consolidar na indústria, só o tempo irá dizer, mas por agora, é um ótimo caminho para potencializar a relação dos artistas com os fãs, e também o alcance de cada banda em larga escala.




