Com curadoria afinada, Polifonia de Verão abre temporada de shows no Rio

Supercombo, Dibob e Catch Side estavam entre os nomes escalados para o festival

O domingo de sol foi diferente no Rio de Janeiro no último dia 11. O Polifonia de Verão arrastou o público para o Vivo Rio, que mesmo com o calorão da cidade, não deixou de marcar presença no evento. Com os portões abertos as 15h da tarde, o Polifonia de Verão mostrou uma curadoria apurada, misturando nomes veteranos e novatos do cenário musical, passando pelo rock, pop rock, surf rock, entre outros gêneros. O resultado foi uma celebração à diversidade, que ficou evidente tanto no público, com pessoas de todas as idades, quanto no palco.

Os responsáveis por abrir a tarde foram os meninos da Melton Sello, banda que tem se destacado no cenário carioca e traz uma sonoridade que vai do pop rock ao surf rock, com músicas divertidas e letras descontraídas. O grupo, liderado pelo vocalista Caio Paranaguá, chegou no palco com muita energia, se dizendo felizes e nervosos por estarem abrindo o evento. O barulho que a Melton Sello vem fazendo na cena foi reforçado pelo público, já que muitas pessoas presentes usavam camisas da banda e fizeram questão de chegar cedo, cantando e pulando durante a apresentação deles. Um dos momentos mais marcantes foi a participação de Thiago Niemeyer, da banda Darwin, que subiu ao palco para cantar a música “Seu Juscelino”, uma colaboração entre as duas bandas. Foi uma escolha acertada que animou o público e deu o tom do que seria o restante do dia no Polifonia: divertido, quente e muito alto astral.

Melton Sello. MADM

Na sequência, o festival recebeu a campeã mundial de skate Karen Jhonz, que pela primeira vez levou sua banda para terras cariocas, contando com uma participação especial de Lucas Silveira. Arranjos redondinhos, uma sonoridade bedroom-pop com pitadas de pop rock e letras que abordam temas como relacionamentos, autoestima e sentimentos. O show foi ganhando o público com o passar das músicas, e até quem não conhecia foi cativado pela voz da artista, que toca junto à uma banda formada por mulheres (nesse caso, com exceção de Lucas). O nervosismo pode até ter tentado interferir na apresentação, mas Karen entregou muita energia e presença de palco, com momentos de interação com o público e se mostrando bastante a vontade em estar no palco.

Karen Jonz. MADM

Enquanto um show assistido pela primeira vez, acho que Karen ocupa uma lacuna que precisava ser preenchida, trazendo uma voz feminina pro rock, criando uma atmosfera que me levou à viajar no tempo lembrando de como era bom escutar mulheres falando sobre seus sentimentos com um bom som de guitarra de fundo. Espero vê-la mais vezes em outros eventos no Rio de Janeiro, porque a artista provou que não é só uma baita atleta, mas também uma cantora e musicista muito talentosa.

O terceiro show do Polifonia Verão foi talvez um dos mais aguardados pelo público mais velho do dia, aquele famoso “emo véio”. Uma das bandas mais divertidas do Riocore, Dibob chegou animando demais o Vivo Rio, com todo mundo cantando à plenos pulmões e botando todo mundo pra dançar. Embora tragam uma estética muito descontraída de quem não se leva a sério, o Dibob entregou um dos melhores shows do festival. Muitos riffs de guitarra, refrões marcantes e participações memoráveis, como a Melton Sello cantando sua parceria com a banda, chamada “2000 e Pouco”. E falando em diversão, seria impossível não destacar o momento em que o grupo tocou uma versão de “Nosso Sonho”, da dupla Claudinho e Buchecha. Foi um final de tarde com a cara de um domingo de verão no Rio de Janeiro.

Iniciando os trabalhos da noite, Catch Side chegou no palco do polifonia trazendo consigo um público apaixonado e visivelmente empolgado com o show. Quem caminhava pelo festival podia ver várias pessoas com camisetas da banda, que marcou uma geração lá no início dos anos 2000. A partir desse show, mais pessoas chegaram ao evento, e a setlist foi recheada de sucessos do grupo, deixando todos os corações quentinhos e cheios de nostalgia. Realmente, um dos momentos mais emocionantes da noite, já que o Catch Side não é mais uma banda em atividade. Então quem viu, viu!

Depois da forte sequência para os amantes de um rockzinho anos 2000, Kamaitachi trouxe o som da nova geração ao Polifonia. Ele, que é uma promessa da cena atual, traz uma sonoridade explosiva e muita presença de palco, o cantor fez um show frenético, sem deixar a energia cair em nenhum momento. A grade ficou tomada por um público mais jovem, que pulou e cantou junto ao longo de todas as músicas. Kamaitachi traz a mistura entre o rock, indie e o pop, mostrando a diversidade presente na sonoridade da nova geração, que não tem medo de arriscar diferentes influências e explora uma pegada visual mais bruta. Suas músicas se conectam bastante com o público, e com certeza a apresentação marcou muito bem o lineup do festival, trazendo uma geração mais nova pro cenário musical alternativo e renovando as bases do movimento.

Fechando a noite do Polifonia, o show que todos estavam aguardando: Supercombo. O grupo capixaba que já se apresenta no festival há alguns anos levou a turnê do novo disco, “Caranguejo”, ao palco do Vivo Rio. Após estrearem o álbum no Circo Voador ainda em 2025, dessa vez a banda chega com um show mais definido, confiante e que funciona como se eles já estivessem tocando essas músicas há muito tempo. Talvez pela harmonia e amizade de anos entre os integrantes, tudo flui com muita facilidade e eles mantém a energia durante todo o show, sempre se mostrando muito felizes em se apresentar em terras cariocas.

Supercombo. MADM

A setlist foi uma mistura de grandes hits da carreira, passando por todos os álbuns, e também destacando faixas do novo trabalho. Canções atemporais como “Amianto”, “Sol da Manhã” e “Piloto Automático” marcaram os momentos mais bonitos do show, além de “Alento”, faixa do novo disco que, segundo Léo Ramos, foi feita em homenagem a sua filha. Quem estava no Vivo Rio conseguiu ver muita alegria do público, emocionado e celebrando o final do dia com uma energia altíssima. Em entrevista à MADM, Léo Ramos, vocalista da Supercombo, comentou: “Esse tem sido o nosso trabalho lançado, de uma nova era, mais legal dos últimos anos. A galera está recebendo muito bem esse disco (…)”.

Abaixo você confere a entrevista completa com a banda, minutos antes da apresentação no festival.

MADM: Agora que vocês já rodaram o Brasil com a primeira parte do disco, como vocês avaliam a recepção do público?

Léo Ramos: Cara, esse tem sido o nosso trabalho lançado, um novo disco, uma nova era, mais legal dos últimos anos, assim. A galera está recebendo muito bem esse disco, talvez por começar com Piseiro (Black Sabbath) e depois virem as músicas mais introspectivas, tenha sido uma sacada massa, mas acho que também tem a ver com o momento que estamos vivendo hoje em dia, da gente mesmo. É um disco que é muito verdadeiro pra gente. E veio só a primeira parte, ainda tem a parte dois pra sair esse ano, então eu diria que está sendo um dos lançamentos mais legais que a gente já teve.

MADM: Falando na parte dois do álbum, o que o público pode esperar desse lançamento?

Paulinho: Ele é uma continuação, ao mesmo tempo que é um espelho da parte um. Então na verdade, ele tem uma estrutura parecida, acho que ele é mais pesado em alguns aspectos… mas tem uma estrutura parecida, então ele se encaixa perfeitamente quando você escutar a última música da primeira parte com a primeira da outra. Elas criam uma sensação que se desdobra ao longo das quinze músicas.

MADM: Agora ainda sobre o “Caranguejo”. Nesse disco, vocês exploram o piseiro e trazem brasilidade para a sonoridade da banda. Tem ainda algum outro gênero musical que vocês pensam em experimentar no rock de vocês futuramente?

Carol: Acho que o piseiro foi natural… a gente nunca pensa “dessa vez vamos fazer isso, dessa vez vamos fazer aquilo”. O nosso natural mesmo é o rock, e o restante vem de brincadeira mesmo. (risos)

MADM: Falando um pouco sobre o festival, pra vocês, como funciona a escolha de uma setlist para um evento como esse que tem outros públicos? Quais são os desafios de montar uma setlist pra um show de festival?

Paulinho: O mais difícil, estando em um contexto de lançamento de disco, é tirar músicas legais que a gente gostaria de tocar. Então a gente prioriza as músicas novas e pega um pouquinho de cada música que a gente sabe que é importante em cada disco. Então a gente faz um trabalho de peneira mesmo, porque o show dessa turnê tem quase 1h40, e aqui só temos 60 minutos, então rola realmente um trabalho de reposicionar as músicas novas e ao mesmo tempo fazer uma dinâmica pro show de forma que as músicas antigas entrem e tenham uma coerência com o todo.

MADM: Pra finalizar, quais são os planos da banda para 2026? Tem algum projeto já sendo pensado por vocês ou por enquanto vai ser o “Caranguejo”?

Leo Ramos: A gente tem um projeto aí… vamos lançar agora no primeiro semestre a segunda parte do “Caranguejo” e esse ano completamos dez anos de um disco aí… (risos) e aí talvez venha alguma coisa aí!

Acompanhe as coberturas da MADM em tempo real no Instagram (@MADMOficial).

leia também

Em fevereiro, Hangar 110 recebe evento beneficente “Cena Contra Fome”

Evento vai reunir bandas como Zander e Bayside Kings...

Verão no Circo Voador: piscina e shows exclusivos

Programação de verão teve início dia 03 de janeiro...

Maré Morta lança “Chronus”, álbum sobre tempo e amadurecimento

Quarteto carioca tem lançamento marcado para o dia 19...

Projeto Corona Luau MTV reúne nomes da música brasileira em turnê homenageando Cássia Eller

Shows acontecerão em Santa Catarina, Rio de Janeiro e...

Pulso Hardcore: 5 motivos para ir ao maior festival de hardcore do Rio

Festival acontece no próximo dia 29, no Cordão da...